Brasil está em chamas! E assim vai passando a boiada anunciada pelo governo Bolsonaro.

O que está acontecendo no Pantanal não é um acidente! Há vários meses estamos acompanhando a destruição de refúgios de animais silvestres, de áreas imensas de floresta sendo queimadas, unidades de conservação e terras indígenas sendo fortemente impactadas e de críticas, internas e externas, cada vez mais contundentes sendo ignoradas quando não ridicularizadas pelos responsáveis. É a boiada passando, representada pelo atual Ministro do Meio Ambiente e defendida pelo conjunto do atual Governo Federal, mas não só.

Fotos: Juliana Arini Palmo, fotógrafa, storyteller, Dó Bemol, jornalista e mãe-azul

Sempre em tom ufanista aprendemos nas nossas escolas que o Pantanal é a maior superfície interiorana inundável do mundo. Talvez lembremos que as grandes inundações, que a cada ano ocupam cerca de 80% do território durante o primeiro semestre do ano, constituem a característica mais marcante do bioma. Bem como que as águas modificam o meio físico, o cotidiano das populações locais, e os habitats das espécies, sendo essencial para manter as condições ecológicas lá existentes.

Porém, esse “paraíso idílico” que tanto orgulha os brasileiros, não existe, talvez nunca tenha existido. Pouco ou nada aprendemos e sabemos sobre a ação humana nesse e em outros biomas. O pantanal é muito mais do que aquela foto da onça ou jacaré caminhando pelas terras pantaneiras que estampam (estampava?) livros, capas de caderno, camisetas, canecas e afins. Temos a dimensão histórica da destruição que estamos presenciando nesse momento?

Quantos de nós, brasileiros orgulhosos, sabemos que a manutenção da vegetação natural desta extensa planície é condição básica para garantir a continuidade dos pulsos de inundação e, conseqüentemente, da vida? Ou ainda que, por se tratar de um bioma altamente influenciado pelo regime hídrico, qualquer intervenção humana que altere os ciclos hidrológicos naturais poderá colocar em risco a biodiversidade, as populações humanas bem como o conjunto das atividades econômicas estabelecidas na região, que co-existem com essa dinâmica natural do bioma.

Fotos: Juliana Arini Palmo, fotógrafa, storyteller, Dó Bemol, jornalista e mãe-azul

Apesar do tamanho do bioma ser pequeno, em comparação aos demais biomas brasileiros, é uma área que abriga muitas espécies que não encontram mais refúgios em seus biomas, é um importante abrigo para a biodiversidade. São 1.900 espécies de plantas superiores, 263 de peixes, 41 de anfíbios, 113 de répteis e 463 de aves, 132 mamíferos, segundo dados atualizados em 2010, em publicação organizada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas – IPEA. A principal atividade econômica do Pantanal é a pecuária bovina de corte. Esta atividade sempre foi responsável pelo desmatamento na região.

A Polícia Federal vem investigando as causas dos atuais incêndios no Pantanal. Na manhã de 14 de setembro, a Operação Matáá, concluiu que a causa do início do fogo não foi um acidente, tratou-se de 25 mil hectares de áreas de preservação ambiental, na Serra do Amolar no Pantanal, queimadas para serem transformadas em pastagem para o gado (sim, aquele da boiada novamente). O delegado Alan Givigi, que coordena essa operação utilizou imagens de satélite que indicaram onde o fogo começou. Foram emitidos 10 mandados de busca e apreensão em Corumbá – MS. A operação ganhou o nome de Matáá, que significa fogo na língua dos índios pantaneiros Guatós que vivem nas proximidades das áreas atingidas.

E o fogo continua. Assim como a flora, a fauna do Pantanal tem sido duramente atingida. Há diversos animais carbonizados no bioma. As onças-pintadas que vivem ali tentam fugir do fogo, mas algumas acabam machucadas pelas chamas. Sobre esse tema específico, uma reportagem recente do The Intercept Brasil, produziu um vídeo que vem impactando fortemente, com a chamada: “Pantanal arde em chamas: grupo de veterinários corre para tentar salvar animais machucados, perdidos, sedentos e famintos no fogo. Veja no vídeo produzido em parceria com o projeto solos”. Caso não tenha visto: assista aqui. Caso já tenha visto: compartilhe

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