O potencial econômico dos produtos florestais não madeireiros nas reservas legais do Cerrado.

Para promover a utilização sustentável de Produtos Florestais Não Madeireiros (PFNM) nas Reservas Legais do bioma Cerrado, apresentamos um modelo conceitual de cinco etapas que foi implementado em um assentamento da reforma agrária na capital do Brasil. O estudo de Marccella Lopes Berte e Cananda Braga Quirino, orientado por Renata Françoso, identificou o potencial de colheita de PFNM ao avaliar espécies arbóreas com Altos Valores de Importância por meio de um inventário florestal abrangente e seu potencial comercial: Annona crassiflora (araticum), Caryocar brasiliense (pequi) e Eugenia dysenterica (cagaita).

Araticum do cerrado (Annona crassiflora). Fonte: Cananda Braga

Ao longo de doze meses, as pesquisadoras monitoraram as fenofases e a produção de frutos na área de estudo. Regressões lineares foram empregadas para prever a produtividade de frutos com base nas características morfométricas das árvores. O diâmetro da copa emergiu como um preditor significativo de produtividade para C. brasiliense. Levando em consideração os preços de mercado regionais, a receita bruta estimada da produção de frutos atingiu R$ 4.641,00 (U$ 882,00), que poderia potencialmente aumentar em 340% por meio de processos de beneficiamento.

pequi (Caryocar brasiliense). Fonte: Cananda Braga.

O período de produção exibiu uma sobreposição mínima entre as três espécies, sugerindo uma melhor utilização dos recursos naturais ao longo do ano. No entanto, a execução de um plano estratégico, incluindo um estudo de viabilidade econômica, é crucial. Esta pesquisa destacou a necessidade de investigações adicionais para obter uma compreensão mais profunda da renda gerada pelos PFNM e seu papel no desenvolvimento rural. No geral, a pesquisa visa contribuir para a compreensão do potencial econômico dos PFNM em Reservas Legais, oferecendo informações valiosas para o planejamento e gestão sustentáveis.

Leia o artigo na íntegra publicado na revista científica colombiana Caldasia

A pesquisa foi realizada na reserva legal do assentamento da Reforma Agrária Pequeno William. O Pequeno William é considerado um assentamento agroecológico onde mais da metade das áreas dos lotes são destinadas à conservação ambiental, ou seja, possuem o potencial de agroextrativismo e de uso sustentável dos produtos não madeireiros do Cerrado.

Em paralelo, a pequisa e a extensão complementam o curso superior de Tecnologia em Agroecologia do Instituto Federal de Brasília – IFB – Campus Planaltina. Ao longo do curso, durante a carga horária dedicada ao componente “vivências”, os estudantes dedicaram ações dentro do assentamento com a comunidade, dentre elas, as boas práticas de manejo para o extrativismo sustentável da cagaita e o preparo da geléia de cagaita no fogão a lenha.

Boas práticas de coleta da cagaita (Eugenea dysenterica) com o cuidado para não danificar os seus frágeis galhos, com uso de sombrite para evitar o contato dos frutos com o chão e podão para alcançar frutos mais altos.

A prática foi conduzida observando com os estudantes o Manual de Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável da Cagaita, publicado pelo Instituto Sociedade População e Natureza – ISPN.

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