2021 dá início a década da restauração ecológica.

Muvuca de sementes

 A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidades (ONU), proclamou  2021-2030 a década da restauração ecológica. A restauração ecológica é o processo de restabelecimento de ecossistemas degradados. Ela contribui ao mesmo tempo com diversos objetivos globais da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, como a conservação da biodiversidade e da vida terrestre e, contra a mudança global do clima. A restauração ecológica pode também gerar renda e produzir alimentos.

Nesta década, a restauração contará com recursos da iniciativa privada e também de fundos globais oriundos dos acordos internacionais dos quais o Brasil, mesmo com os retrocessos recentes, ainda é signatário como, o Acordo de Paris. Cabe lembrar que na ocasião da realização da COP de Paris (2015) o Governo brasileiro teve seu protagonismo reconhecido internacionalmente, tanto por sua capacidade de diálogo como pelas metas ousadas apresentadas, dentre elas restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares no país até 2030.

Paris – Presidenta Dilma Rousseff durante declaração à imprensa após 21º Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima – COP21 (Rafael Carlota/PR)

Existem várias técnicas e maneiras diferentes de se fazer a restauração ecológica. Em ambientes florestais e savânicos, como é o caso dos ecossistemas prioritários para a restauração no Brasil (Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia) podemos fazer o mais conhecido: o plantio de mudas. Porém, ultimamente outras técnicas estão se mostrando, do ponto de vista econômico e social, mais interessantes devido ao seu custo menor e sua maior capacidade de geração de renda aos envolvidos.

O plantio direto de sementes, utilizando a Muvuca de sementes, é uma dessas. Segundo a iniciativa Caminhos da Semente  “a semeadura direta consiste no plantio de sementes em alta densidade de diversos ciclos de vida, de modo a desencadear o processo de sucessão ecológica”. Essa técnica desenvolve uma cadeira produtiva da restauração que inicia desde a coleta de sementes até o plantio. A coleta merece destaque, por envolver e fomentar uma rede de coletores e coletoras, muitas vezes protagonizada por povos indígenas, quilombolas e agricultores familiares, que comercializam essas sementes para os projetos de restauração.

Sementes de diversas espécies antes de misturar para formar a Muvuca, na sede da SerrAcima, em Cunha-SP. Foto: Marccella Berte

Para saber mais e conhecer experiências diversas de semeadura direta para restauração, acesse a publicação organizada pela Iniciativa Caminhos da Semente publicada em 2020. Dentre o conjunto de experiências estão diferentes contextos e biomas.

Já outro exemplo de restauração ecológica são os Sistemas Agroflorestais (SAFs), que merecem destaque também pela sua capacidade de geração de renda e de produção de alimentos. Segundo os autores do livro Restauração Ecológica em Sistemas Agroflorestais – como conciliar produção com conservação : “o ecossistema restaurado contém um conjunto de espécies que ocorrem no ecossistema de referência” e essas espécies podem ser incorporadas aos consórcios agroflorestais.

Os SAFs possuem um diferencial que é o manejo constante da área plantada, onde o agricultor seleciona as espécies do futuro, moldando a paisagem e conduzindo a restauração. “Há diversos tipos de SAFs, desde sistemas mais simplificados, com poucas espécies e baixa intensidade de manejo, até sistemas altamente complexos, com alta biodiversidade e alta complexidade de manejo”. Sua construção pode ser fruto de um processo participativo desde a escolha das espécies, a elaboração dos croquis e a implementação, utilizando muitas vezes ações em mutirão que geram conhecimentos.

Em alguns casos se utiliza da semeadura direta com Muvuca de sementes e/ou condução da restauração mediante diagnóstico da situação, desejo e vocação do lugar. Sempre quando for possível a restauração deve priorizar áreas que gerem mais conectividades entre os fragmentos florestais, que sejam de grande importância para a proteção de mananciais e ao mesmo tempo restaure as funções e serviços ecossistêmicos no processo de re-vegetação. No entanto, o maior desafio dessa década, ainda é encontrar proprietários de grandes áreas para a restauração, pois quanto maior a área, maior a escala e menor o custo do projeto.

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